Publicado em 10 de Junho de 2025 às 02:00:51
Ibovespa Renova Máximas com Fluxo Estrangeiro; Nossa Carteira Mantém Desempenho Superior
Desde a última edição do Top Ações, em 29 de janeiro, o cenário doméstico seguiu desafiador do ponto de vista fiscal e econômico. Ainda assim, o forte fluxo de capital estrangeiro — atraído pelo valuation atrativo da Bolsa e pela depreciação do real — impulsionou o Ibovespa a renovar suas máximas históricas. No exterior, o aumento das tensões tarifárias promovidas pelos EUA enfraqueceu o dólar e favoreceu mercados emergentes como o Brasil, que tendem a enfrentar menor fricção comercial em comparação com diversos países asiáticos.
Nesse período desde 29 de janeiro, nossa carteira Top Ações acumulou um retorno expressivo de +15,28%, superando o Ibovespa em 5 pp (+10,26%). Desde seu lançamento em janeiro de 2022, o Top Ações acumula +50,3%, com uma performance superior em 25,53 pp ao Ibovespa e 2,32 pp acima do CDI no mesmo intervalo.
Entre os destaques, as ações domésticas tiveram bom desempenho, com exceção de Banco do Brasil, que decepcionou com seu resultado. Por outro lado, as empresas de commodities foram pressionadas pela guerra tarifária iniciada pelos EUA e pela perspectiva de menor demanda global — especialmente vinda da China.
Para 2025, seguimos com uma postura cautelosa. Estamos ampliando a exposição ao setor de construção civil, buscando capturar a reprecificação de risco e crescimento robusto desses ativos com novo zoneamento urbano em São Paulo e Rio de Janeiro. Reduzimos marginalmente a posição em commodities, mas mantemos exposição visando uma eventual recuperação com o avanço das negociações tarifárias.
Mantemos o foco em empresas com fundamentos sólidos, vantagens competitivas e histórias de crescimento, turnaround, privatizações ou fusões.
INVISTA NA CARTEIRA TOP AÇÕES EM POUCOS CLIQUES!
Desde o lançamento da carteira Top Ações Genial Analisa, em 20 de janeiro de 2020, até 6 de junho de 2025, acumulamos uma valorização de +50,3%, superando o Ibovespa em 25,5 pontos percentuais (pp) — o índice avançou +24,7% no mesmo período. Somente em 2025, a carteira rendeu +20,2%, frente aos +13,2% do benchmark.
Desde a última atualização da carteira Top Ações, em janeiro, registramos uma performance substancialmente positiva: a carteira avançou 15,3%, frente aos 10,3% do Ibovespa no mesmo período. O intervalo foi marcado por elevada volatilidade, em especial devido às tarifas anunciadas por Trump em abril, além dos ventos contrários associados aos ruídos fiscais no Brasil. Ainda assim, com a suspensão temporária das tarifas e a redução significativa do risco de recessão global, o Ibovespa — também beneficiado pelos razoáveis resultados das empresas no primeiro trimestre — reverteu sua trajetória de queda e renovou sua máxima histórica.
Entre os destaques positivos da carteira, a maior contribuição veio da Porto Seguro (PSSA3), com alta de 38,7%, seguida por Lojas Renner (LREN3) e Inter (INBR32), ambas com valorização de 33,1%. Em suma, a boa performance desses ativos foi impulsionada pelos resultados do primeiro trimestre, marcados principalmente por aumento na rentabilidade e melhora na percepção operacional de curto prazo.
No caso da Porto Seguro, o destaque ficou por conta do resultado reportado no primeiro trimestre bem acima do consenso, que reforçou a consolidação de um novo patamar estrutural de rentabilidade para a companhia. O ROE atingiu 24,2%, bem acima dos 15% registrados em anos anteriores, refletindo principalmente a maior diversificação do portfólio e o foco em linhas comerciais mais rentáveis.
Em relação à Lojas Renner, o bom desempenho das ações foi impulsionado por uma surpresa positiva nos resultados do primeiro trimestre, revertendo a decepção observada no 4T24. A companhia apresentou um avanço expressivo em sua margem bruta — principal ponto de atenção no trimestre anterior —, além de maior diluição das despesas operacionais, favorecida por um fluxo de vendas mais robusto.
Por fim, no que se refere ao Banco Inter, o principal destaque deste ano foi a consistente execução do plano estratégico “60-30-30”, que estabelece como metas a conquista de 60 milhões de clientes, 30% de eficiência e 30% de ROE até 2027. Apesar do lucro vir um pouco abaixo do nosso esperado, a instituição tem apresentado ganhos progressivos de eficiência operacional e melhoria contínua da rentabilidade, ao mesmo tempo em que mantém um ritmo sólido de expansão da base de clientes.
Já do lado negativo, os principais detratores foram Banco do Brasil (BBAS3), com queda de 17,5%, Suzano (SUZB3), que recuou 14,1%, e Klabin (KLBN11), com desvalorização de 11,6%.
No caso do Banco do Brasil, a queda refletiu um primeiro trimestre bem abaixo das expectativas, pressionado pelo aumento da inadimplência no agronegócio e pelos efeitos da Resolução 4.966, que elevou significativamente as despesas com provisões para perdas esperadas. A piora da qualidade de crédito pode se estender para o 2T25 na nossa visão.
Já a forte queda das ações da Klabin pode ser atribuída à desaceleração do consumo doméstico, aos riscos associados às tarifas anunciadas por Trump e à valorização do real, que impactou diretamente a rentabilidade das exportações frente aos níveis observados no início do ano.
Por fim, no caso da Suzano, além dos impactos das tarifas e da valorização do real, que também afetaram a Klabin, o desempenho negativo foi agravado por uma queda mais acentuada do que o esperado nos embarques de celulose, reflexo de paradas programadas e de uma sazonalidade mais fraca no trimestre.
O cenário doméstico permanece desafiador. Desde a última atualização de nossa carteira, a taxa Selic foi elevada de 13,25% para 14,75%, em resposta ao aquecimento da atividade econômica, impulsionado, em parte, pela adoção de medidas fiscais voltadas ao estímulo do consumo.
No primeiro semestre de 2025, o governo lançou diversas iniciativas com esse viés, como o crédito consignado privado, a ampliação do Minha Casa Minha Vida, o aumento dos subsídios em tarifas de energia, e o aumento de IOF. Outras iniciativas com viés semelhante já foram anunciadas e devem entrar em vigor ainda neste ano.
Nesta semana, o governo federal, em acordo com o Congresso, anunciou uma Medida Provisória (MP) para mitigar os efeitos do aumento do IOF, propondo medidas compensatórias por meio de ajustes tributários. Com isso, a cobrança de IOF será reduzida em 80% em relação ao decreto original. A MP ainda depende de sanção presidencial. Entre os principais pontos, estão:
O PIB do 1T25 cresceu 1,4% t/t, com destaque para o agronegócio e o consumo das famílias — que devem continuar sendo os principais motores do crescimento ao longo do ano, dada a persistência do estímulo fiscal e a resiliência do mercado de trabalho.
Apesar da política monetária restritiva, os núcleos de inflação seguem desancorados e apontam para uma taxa acima do teto da meta em 2025. Ainda assim, temos observado melhora na composição do IPCA: itens mais sensíveis à demanda mostram desaceleração, o que tende a reduzir pressões de custos para as empresas e limitar a necessidade de repasses agressivos ao consumidor, aliviando as pressões inflacionárias.
No campo fiscal, o cenário é de contínua deterioração. Contingenciamentos sucessivos e a dificuldade em cortar gastos comprometem a credibilidade do arcabouço fiscal. O aumento estrutural de gastos, combinado à resistência em cortar despesas, mina a credibilidade do arcabouço fiscal e reduz o espaço para uma política monetária mais branda, reforçando a necessidade de manutenção de juros elevados por mais tempo.
O ambiente econômico global segue marcado por incertezas, especialmente nos Estados Unidos. O mercado de trabalho americano ainda mostra resiliência — com criação líquida de 139 mil empregos em maio e taxa de desemprego em 4,2% — mas os dados antecedentes indicam desaceleração. O Livro Bege e os ISMs de maio mostraram contração tanto na indústria quanto, pela primeira vez no ano, no setor de serviços.
As incertezas em torno da política tarifária do governo Trump vêm afetando diretamente a confiança de empresas e consumidores. A suspensão temporária das tarifas deu algum alívio, mas a possibilidade de sua reintrodução vem sendo precificada por agentes econômicos, retardando decisões de consumo e investimento e aumentando a volatilidade sobre a trajetória da inflação. Isso ficou evidente na última leitura do ISM Serviços, que mostrou um salto no componente de preços pagos (68,7) e recuo acentuado nos novos pedidos (46,4), principalmente em setores como saúde e tecnologia.
Diante desse quadro, o Federal Reserve mantém postura cautelosa. A inflação segue pressionada por fatores transitórios, como tarifas, e a autoridade monetária opta por aguardar sinais mais claros antes de ajustar os juros — sendo improvável qualquer mudança até julho.
Na China, os sinais de enfraquecimento da demanda tornaram-se mais evidentes após um primeiro trimestre marcado pela antecipação de compras e recomposição de estoques em resposta às tarifas impostas por Trump. Com os estoques ainda elevados e a atividade econômica perdendo tração, os preços do minério de ferro passaram a refletir essa dinâmica mais fraca, acumulando quedas nas últimas semanas. A ausência de estímulos mais robustos por parte do governo chinês reforça a perspectiva de acomodação da demanda, especialmente em setores como construção civil e infraestrutura, historicamente os maiores consumidores de minério.
Brasil, EUA e Japão: Cenário altista para os yields dos títulos brasileiros, americanos e japoneses com pressões inflacionárias persistentes
O mercado acionário brasileiro iniciou 2025 em trajetória de recuperação, após um 2024 turbulento. A combinação de rotação global para mercados emergentes, fluxo estrangeiro positivo e o Brasil relativamente melhor posicionado na guerra tarifária impulsionaram o Ibovespa, que renovou máximas históricas em maio. O valuation atrativo e o real desvalorizado — que chegou a ultrapassar R$ 6 por dólar — também ampliaram a atratividade da Bolsa local.
Apesar do otimismo recente, o ambiente doméstico segue exigindo cautela. A condução errática da política fiscal — como no caso do anúncio e posterior recuo do novo IOF sobre investimentos no exterior — elevou a percepção de risco.
No campo político, a queda de popularidade do presidente Lula começa a abrir espaço para nomes da direita nas eleições de 2026, reforçando a expectativa de que o rali da Bolsa possa ganhar tração mesmo sem o suporte do fluxo estrangeiro e aumento do risco fiscal.
Em termos de valuation, a Bolsa brasileira segue atrativa, negociando com múltiplos descontados em relação à média histórica e aos mercados desenvolvidos. O índice P/L de 7,52x aponta para uma assimetria positiva, especialmente se o fluxo estrangeiro persistir e houver avanço em pautas estruturais.
Iniciamos 2025 em um contexto desafiador, com política monetária restritiva, inflação persistente, dólar valorizado e sinais de desaceleração econômica. Nesse cenário, priorizamos ativos resilientes, com drivers próprios de valorização ou capacidade de se beneficiar do ambiente macro vigente.
O setor financeiro segue como pilar central da carteira, com destaque para bancos e seguradoras. Substituímos Itaú por Itaúsa, acreditando que o desconto de holding (25,4%) deve se reduzir após a aprovação da lei que elimina a bitributação do JCP. Também retiramos Banco do Brasil, após um 1T25 pressionado pela alta da inadimplência, e BB Seguridade, devido ao crescimento modesto. Em seus lugares, adicionamos Bradesco, que finalmente mostrou uma maior recuperação nas receitas e rentabilidade no 1T25 após o avanço na carteira de crédito em 2024.
Mantemos exposição relevante ao setor de commodities — proteínas, celulose e petróleo — com empresas que combinam receitas dolarizadas e custos em real. Apesar do desempenho fraco recente, seguimos posicionados para capturar eventual recuperação à medida que avançam as negociações tarifárias globais.
Setores regulados como elétricas e saneamento continuam atrativos, especialmente em histórias de privatização e ganho de eficiência operacional, com potencial de expansão de margens e geração de valor ao acionista. Também favorecemos companhias com baixa alavancagem e receitas previsíveis, mais protegidas do ambiente de juros elevados.
Apesar da volatilidade elevada do mercado, mantemos convicção na nossa abordagem. Buscamos ativos com fundamentos sólidos, potencial de valorização e boa assimetria de risco. A Carteira Top Ações foi desenhada para atravessar ciclos complexos com disciplina fundamentalista e flexibilidade tática, ajustando-se conforme evoluem o cenário macroeconômico, os fundamentos das empresas ou seus valuations.
Eduardo Nishiox
Analista de Ações

Ygor Bastos
Analista de Ações
Igor Guedes
Analista de Ações
Bernardo Noel
Analista de Ações
Vitorx Sousa
Analista de Ações
Luis Assis
Analista de Ações
Iago Souza
Analista de Ações